quarta-feira, 22 de abril de 2015

Top 5 Personagens Cegos

Vocês já repararam que é difícil ver personagens com ''deficiências'' em livros/séries/filmes? E que quando eles aparecem normalmente são mostrados como vítimas, incapazes,etc? Como se toda a vida deles girasse em torno de serem cegos, surdos etc. Mas felizmente existem alguns escritores/roteiristas que ao criarem personagens com ''deficiências'' não permitiram que eles fossem definidos por isso ou vistos como pobres coitados ao contrário, eles são personagens badasses muito bem construídos e dos quais eu acho que ninguém seria capaz de sentir pena.

Pensando nisso foi que eu decidi fazer esse top 5 de personagens cegos que não devem em nada para aqueles que são capazes de enxergar.

Ah! Eles não estão em ordem de preferência.

Ps. Vou tentar fazer essa lista com o menor número de spoilers, mas já aviso que haverão alguns.

Toph Bei Fong (Avatar: A Lenda de Aang / Avatar: A Lenda de Korra)


Toph nasceu cega e por causa disso foi super protegida pelos seus pais que não permitiam que ela saísse de casa. Como ela também nasceu com a dobra de terra seus pais contrataram um professor (que supostamente era o melhor mestre/dobrador de terra) para que ela aprendesse pelo menos o básico. Acontece que Toph, sozinha, aprendeu muito mais do que o professor sabia apenas ''observando'' texugo-toupeiras (sim, eu tive que ir no google pesquisar o nome do animal) e passou a usar a sua dobra para sentir as coisas ao seu redor e assim ser capaz de ''ver''. Ela também costumava sair de casa às escondidas e lutar com outros dobradores sob o codinome de Bandida Cega e quando seus pais descobrem eles têm uma briga enorme e ela foge de casa e passa a ensinar o Avatar Aang a dobra de terra. Ela é tão poderosa que foi a responsável por descobrir que dobradores de terra também podiam dobrar metal. Ela também foi a responsável por ajudar a Avatar Korra a lidar com sérios problemas e superar alguns ''traumas''.
Toph passa longe do estereótipo de donzela indefesa ou de cega indefesa. Ela é capaz de se cuidar sozinha e muitas vezes é ela quem resgata seus amigos. Ela é dona de um humor sarcástico e muitas vezes faz brincadeiras com o fato de ser cega sem nunca querer a piedade dos outros por causa disso. Por essas e outras que ela merece estar no nosso top 5.

Leon (Trilogia Anômalos)


Leon é cego, é um anômalo e é gay , ou seja, ele tem todos os ''motivos'' pra se fazer de coitadinho vítima de bullying, mas ele não o faz (até porque no universo de anômalos o foco é preconceito contra anômalos). A anomalia do Leon permite que ele tenha super-sentidos fazendo com que ele se locomova como se enxergasse (na verdade, acho que ele anda melhor do que muitos que vêem). Ele é super inteligente, muito concentrado, tem um ótimo senso de humor e é muito leal aos seus amigos. E é um dos meus personagens favoritos nessa trilogia e eu espero muito que ele não morra no terceiro livro.
Ps. Eu não achei nenhuma fanart do Leon e como eu sou uma ótima artista (lembram que eu mostrei meus talentos pra vocês nesse post?) resolvi eu mesma desenhá-lo.
Pps. Eu sou péssima pra lembrar a descrição física dos personagens (só lembro a da Sybil) então pode ser que o Leon não seja negro, mas eu tenho quase certeza que ele é.

Cem Olhos (Marco Polo)

Sifu, mais conhecido como Cem Olhos, é especialista em diversas artes marciais e um lutador exímio. Ele foi responsável por treinar Marco Polo e o filho de Kublai Khan. Eu não lembro se ele é cego de nascença, mas não faz diferença porque o que importa é que ele é um grande lutador. Sério, vocês precisam assisti-lo lutando, procurem no youtube depois. É muito massa! E pra completar o cara é um dos personagens mais sábios da série. 

Eli (O Livro de Eli)

Eu assisti a esse filme a não sei quantos anos então não lembro muitos detalhes, mas só o fato de eu (e creio que a maioria das pessoas que assistiram a esse filme) só ter percebido que Eli era cego lá pra metade (ou talvez tenha sido lá pro final do filme, não lembro...) do filme já diz muita coisa. Eli também é muito bom de luta e um dos pontos mais interessantes do filme é quando ele  precisa lidar com o conflito de que suas ações não estão de acordo com as suas crenças, de que ele se preocupou tanto em proteger o Livro que esqueceu de vivê-lo. Esse conflito todo faz com que o personagem seja ainda mais interessante.

Matt Murdock / Demolidor (Demolidor)


Matt Murdock sofreu um acidente aos 9 anos de idade no qual um elemento químico caiu nos seus olhos deixando-o cego. Em compensação ele ganhou super sentidos (pelo menos foi o que eu entendi até agora, ainda não acabei de assistir a série e nunca li os quadrinhos ou assisti ao começo do filme). Enfim, advogado de dia e o diabo da Cozinha do Inferno a noite, Demolidor é um herói muito interessante, além de lutar super bem ele também precisa lidar com os conflitos provenientes de toda a violência que causa e para isso ele encontra conforto na sua fé católica. Ah! Apesar de não estar na lista, vale mencionar Stick, o seu mestre que por acaso também é cego.

Apesar de todos os personagens dessa lista serem bons de luta e fisicamente fortes, minha ideia de personagem badass vai além disso. Eles são tops porque foram bem construídos, porque não se limitam devido a cegueira, porque possuem conflitos internos interessantes e plots interessantes também.

Ps. Repararam que só tem uma mulher na lista? Cadê as personagens deficientes femininas bem construídas?

Enfim, espero que tenham gostado dessa lista, mas me digam nos comentários se tem mais algum personagem cego que vocês gostariam de acrescentar a ela. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Entrevista com Angélica Pina



O post de hoje traz uma convidada muito especial, a escritora Angélica Pina (autora do livro Quilômetros de saudade) que gentilmente concordou em nos dar uma entrevista. 

YAY! Nossa primeira entrevista S2 S2 S2

Além da Angélica eu convidei a Raissa (lembram dela? A amiga que me auxiliou na cobertura em vídeo da 4ª Turnê Intrínseca) para me ajudar a elaborar as perguntas. A entrevista foi feita via internet e eu e Raissa tecemos pequenos comentários em cima de algumas respostas da Angel, os meus comentários são os cor de rosa e os da Rai são os azuis.

1. O que te motivou a se tornar escritora?
A paixão pelas palavras é antiga, desde criança que amo ler. Isso acabou gerando uma facilidade com as letras e quando tive tempo para me dedicar a escrever uma história (quando parei de trabalhar para ficar em casa com meu filho logo que nasceu), as coisas foram fluindo. Descobri algo que amo! Criar histórias e compartilhá-las com outras pessoas é muito muito gostoso!

2. Como foi o processo de publicação do seu livro? Você mandou o manuscrito para muitas editoras? Recebeu muitas negativas?
Não mandei para muitas, porque optei por enviar primeiro para as que aceitavam receber o original por e-mail e se não conseguisse alguma, passaria a mandar para as que recebem apenas impressos. Recebi um NÃO da editora que era a primeira na minha preferência e logo em seguida recebi o SIM da Giostri. O processo com eles foi muito rápido, mandei inicialmente as primeiras vinte páginas, como solicitado nas regras da editora, no dia seguinte o editor já pediu para ler o restante. Depois de quinze dias ele me retornou com a proposta de publicação.

3. Por que você escolheu a editora Giostri?
Um dos principais motivos foi a rapidez com que recebi o retorno. Antes de começar a busca por editoras, li bastante sobre como funcionava o processo e vi que a maioria pede em média 6 meses para dar uma resposta, isso quando dão (geralmente só respondem quando se interessam pela obra, se o resultado for negativo não dizem nada). Bem, eu estava ansiosa para publicar logo e pouco disposta a esperar meses por uma resposta que talvez não viria, então...

4. Em Quilômetros de Saudade, o romance da Dani e do Fê é embalado pelas musicas da Marisa Monte, qual a importância que a música tem na sua vida pessoal e no seu processo criativo?
Acho a Marisa Monte uma diva! Uma das características da Dani “herdada” de mim foi gostar das músicas dela. Gosto de sempre inserir músicas nas minhas histórias, adoro quando alguém comenta que ao ouvir a canção lembra de algum personagem. Músicas são ótimas fontes de inspiração, mas não costumo ouvir enquanto escrevo. Paro, escuto, analiso a letra, vejo onde e como ela se encaixa, depois volto a trabalhar em silêncio.

5. Falando em música, qual a sua banda ou seu cantor preferido? E sua música favorita?
Difícil! Gosto de MPB de um modo geral (destaque para Marisa Monte e Nando Reis) e curto algumas bandas e cantores “gospel” (Resgate, Fruto Sagrado, Davi Sacer...)

Vamos dificultar um pouco as perguntas...
6. Quais são o seu livro e o seu autor prediletos?
Essa pergunta é muito difícil, porque não tenho um, tenho vários. Mas para citar assim, os que vêm de imediato na cabeça: livro - O pequeno príncipe e autora – Sophie Kinsella.

7. Quais livros/escritores mais influenciaram na sua escrita?
Os autores contemporâneos, de um modo geral. Gosto de usar uma linguagem de fácil entendimento e não sou de ficar descrevendo cenários, prolongando onde acho desnecessário, sempre enxugo ao máximo para a leitura não ficar cansativa. Portanto, os clássicos e a Literatura mais rebuscada ficam um pouco de fora no que diz respeito a influenciar minha escrita.

8. Responda:
Team Edward ou Team Jacob?
Nunca li ou assisti a saga, mas fisicamente prefiro o Jacob. hehehe...
(Eu sempre fui team Edward mesmo achando o amor entre ele e a Bela um pouco obsessivo, mas tenho que concordar que fisicamente o Jacob é bem mais interessante...)
Team Peeta ou Team Gale?
Oi? Quem?
(Como assim você não leu/assistiu Jogos Vorazes!!!??? oO #chocada)
(Peraí... eu posso até entender o fato de você não ter lido/assistido Jogos Vorazes, mas como assim você não sabe quem são!? Só vou te "perdoar" porque eu também não conheço alguns dos caras das próximas perguntas.)
Team Aspen ou Team Maxon?
Maxon desde o início! Ele é fofo demais, um príncipe! (Ah, vá! Jura?)
(Team Maxon! o/ Tenho que admitir que era Team Aspen no começo e eu ainda gosto muito dele, mas o Maxon me ganhou de vez!)
Christan Gray ou Iceman (Eric Zimmerman)?
CG sem dúvidas.
Travis Maddox ou Andrew? 
Andrew!!! Sempre prefiro os mais fofos, não curto bad boys.

9. Se você pudesse se casar com alguma personagem literária quem seria?
Com o Michael Hosea, do livro Amor de Redenção. É o cara mais perseverante e sábio do mundo!
(OMG! Melhor escolha ever! Amei essa resposta e se eu pudesse escolher uma personagem literária para me casar definitivamente seria o Michael. *.*)

10. Qual a importância da diversidade na literatura?
Acho mega importante diversificar, experimentar e ler de tudo, passando por todos os gêneros, autores dos mais conhecidos aos que ninguém ouviu falar. Ler melhora a escrita e o vocabulário. Ler gêneros diferentes abre a mente para novas possibilidades e estimula a criatividade. Fora que é sempre bom sair da nossa “zona de conforto”, né?!

11. Para quando podemos esperar o seu próximo livro?
O segundo livro, que é tipo um “spin-off” de Quilômetros de saudade, já está sendo trabalhado na editora. A previsão é de que por volta de julho ele esteja pronto.
(Oba! *dancinha feliz*)

12. Como é ser mãe, esposa e escritora ao mesmo tempo? Como você arranja tempo para escrever?
Sabe que nada disso é considerado profissão, né?! rsrsrs... Ser mãe de uma criança pequena e serelepe (meu Leo tem 3 anos) dá trabalho pra caramba e exige plantão 24/7 (24 horas, 7 dias na semana). Tem quem ache que ficar em casa o dia todo, ainda por cima na frente do computador, é moleza! Mas aprendi a ler e escrever em qualquer brechinha de tempo que tenho. E meu filho vai para a escola no período da tarde, então tenho (teoricamente) 4 horas mais tranquilas no meu dia.
13. Se você pudesse ser qualquer personagem qual você seria e por quê?
Talvez alguém que tivesse algum tipo de superpoder... hahahaha... Mas como não sou muito de ler fantasia, não sei citar algum específico.

14. Se sua vida fosse um livro qual seria o título?
Putz, não faço ideia! Minha maior dificuldade em meus livros é escolher o título, da minha vida então, sem chance.

15. Se "Quilômetros de Saudade" virasse filme, quem você gostaria que interpretasse a Dani e o Fê? E o restante do elenco?
Imagino a Bianca Bin sendo a Dani e o Bernardo Velasco para o Fê. O Rodrigo Hilbert daria um ótimo Jorge e as amigas Aline e Letícia poderiam ser a Jéssika Alves e a Stephany Brito. (Fiz um post há um tempo com as fotos desse “dream cast”, se quiser disponibilizar o link, é esse: http://www.universodosleitores.com/2014/07/meu-dream-cast.html)

Muito obrigada, Angel, por ter nos cedido seu tempo e respondido nossas perguntas. 

Quanto a vocês, leitores, espero que tenham gostado de ler essa entrevista porque eu e Raissa com certeza adoramos elaborar as perguntas e entrevistar a Angélica. Comentem aí o que vocês acharam, se vocês gostaram das respostas e se vocês querem mais postagens desse tipo. 
Ah! E se ainda não leram Quilômetros de Saudade, fica aqui a dica: leiam. ;)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Noite de Agosto


Eles entraram na pizzaria dando graças a Deus pela bebê ainda estar dormindo e eles terem conseguido sair de casa um pouco. Enquanto um empurrava o carrinho o outro carregava uma bolsa cheia de trecos de criança, de fralda à brinquedo. Haviam saído sem essa bolsa uma vez e essa, definitivamente, era uma experiência que nenhum dos dois gostaria de repetir.

Sentaram-se em uma mesa, pediram uma pizza portuguesa grande e começaram a conversar:

- Cara, eu nem lembro mais quando foi a última vez em que coloquei um pedaço de pizza na boca ou que coloquei os pés fora de casa sem ser pra comprar algo de criança.

- Eu também não lembro, mas é melhor irmos nos acostumando com isso. Agora que conseguimos oficialmente a guarda dela, sair por sair vai ser algo difícil por pelo menos mais um ano.

- Falando em mudanças na rotina, eu vou amanhã na faculdade trancar a matrícula do curso.

- Eu ainda acho que essa é uma péssima ideia.

- Eu sei que você acha, mas nós já conversamos sobre isso e essa é a melhor opção no momento. 

- Eu não concordo. Eu consegui uma licença de seis meses no trabalho para poder ficar em casa cuidando dela. Não vejo porque você precisa largar a faculdade. Você pode muito bem ficar com ela quando não estiver em aula.

- Primeiro, eu não vou largar a faculdade, eu vou trancar. É só por um período. Segundo, a faculdade pode ser pública, mas eu ainda preciso de dinheiro para livros, transporte e, principalmente, xerox. Eu não trabalho e o teu salário quase não dá para cobrir nossas despesas atuais, imagina se você ainda tiver que bancar meus estudos. Esse tempo longe da faculdade vai servir também para eu conseguir um emprego e podermos organizar nossas finanças. Terceiro, você pode ser um ótimo cozinheiro, mas é um péssimo dono de casa. Se depender de você, nós três viveremos em um chiqueiro e eu não posso permitir uma coisa dessas.

- Ok, você me convenceu. Trancar a faculdade não é uma ideia tão ruim assim, mas só por um período. Depois disso você volta mesmo que ainda esteja desempregado, estamos entendidos?

- Sim, estamos entendidos.

- Ótimo! No fim das contas você tem razão. Só conseguiremos sobreviver a isso e criar essa menina se ficarmos juntos. Não lembro de você sendo tão responsável e sensato, quando foi que isso aconteceu?

- A partir do momento em que eu deixei de ter outra escolha. É impressão minha ou estão todos olhando pra gente?

- Você já se olhou no espelho? Não saímos de casa há tanto tempo que estamos com cara de zumbis. Devem estar todos com medo de que a gente decida comer o cérebro dela como entrada antes da pizza.

- Cara, essa piada foi péssima. Eu realmente espero que ela não tenha o teu senso de humor. - ele ficou pensativo por alguns segundos, encarou o outro e perguntou seriamente - Você acha que conseguiremos?

- Conseguiremos o quê?

- Criá-la sem estragar tudo. Essa situação toda parece tão surreal, tão estranha, tão... errada. Eu só... eu não acho que eu esteja pronto para ser pai.

- Pois eu tenho certeza de que eu não estou. Caramba! Eu tinha me preparado para ser irmão mais velho de novo. Me perguntava o quão diferente ela seria de você e o quanto a diferença de idade afetaria nossa relação. Essa situação não parece surreal, ela é surreal e estranha e errada. Nós deveríamos ser irmãos dela e não pais, mas agora teremos que ser os dois e isso é assustador. Você tem medo de que a gente estrague tudo, mas eu tenho certeza de que, mesmo não estragando tudo, a gente vai errar várias vezes, isso é normal. O importante é que eu sei que mesmo com todas as dificuldades e mancadas nós vamos conseguir fazer isso, nós vamos conseguir criá-la e ela vai se tornar uma mulher maravilhosa. Eu sei disso porque nós não estamos sozinhos. Temos nossos avós e tios para nos apoiar e por mais que não devamos deixá-los interferir em todas as nossas decisões, teremos que aprender a pedir e aceitar ajuda quando necessário. E porque ela é uma sobrevivente. Prova disso é que ela não morreu no acidente junto com nossos pais.

- Nossa! Quem é o sensato agora? Você tem razão, nós vamos conseguir fazer isso, mas isso não quer dizer que eu não vá surtar algumas vezes no caminho.

Os dois pararam de conversar quando o garçom chegou com a pizza. Eles se serviram ansiosos para comerem e mal haviam começado a cortar suas fatias de pizza quando a bebê acordou chorando. Eles haviam aprendido a diferenciar os tipos de choro dela e, portanto, sabiam que aquelas lágrimas não eram de alguém que precisava ser trocada nem eram de fome, mas de saudade.

- Oh minha princesa, vem cá, vem. - disse o mais velho tirando-a do carrinho e pegando-a no colo. - Eu sei que você tá com saudade deles, nós também estamos.

- É verdade. - disse o mais novo enquanto acariciava a cabeça da irmã e beijava-lhe a mão. - Mas você não precisa se preocupar porque cuidaremos muito bem de vocês. Seremos nós três contra o mundo. Isso é uma promessa.

Quem os olhava via dois homens acalentando um bebê, mas nenhum dos dois se sentia como um adulto naquele momento. No fundo, eles eram dois meninos assustados e com saudade dos pais dando o melhor de si enquanto "brincavam" de casinha com um bebê de verdade.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Diário Secreto de Lizzie Bennet




Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet — e para os seguidores de Lizzie na internet. 
De repente, Lizzie — que sempre se considerou uma garota bastante normal — se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto...

Com reviravoltas que vão deliciar os fãs de Jane Austen, assim como novos leitores, 'O diário secreto de Lizzie Bennet' expande o fenômeno da web série que encantou quase dois milhões de espectadores e faz uma releitura inédita de Orgulho e preconceito.
(Sinopse retirada do livro)


O Diário Secreto de Lizzie Bennet é uma adaptação de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Para ser mais exata, é  uma adaptação de The Lizzie Bennet Diaries que, por sua vez, é uma adaptação contemporânea que transformou a obra de Austen em websérie. Creio que quase todo mundo já ouviu falar de Elisabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, então não vou entrar em detalhes sobre a história em si.

Quem me segue no twitter ou acompanhou minha série de posts sobre seriados sabe que eu sou apaixonada por TLBD e é claro que quando eu soube que iam lançar esse livro eu fiquei super feliz e animada para ler. Antes de tudo, eu preciso dizer que não é preciso ter assistido ao vlog para entender o livro, mas isso torna a experiência bem mais interessante.

Na história podemos ter acesso a algumas cenas que não foram contadas no vlog, como a carta, na íntegra, do Darcy e as 48 horas de preocupação da Jane, por exemplo (só lendo para saber o que isso significa). Além disso é bem legal ler algumas cenas e relembrar os vídeos, sem contar que em alguns capítulos a Lizzie faz a transcrição total dos vídeos por medo de não ser capaz de fazer jus ao acontecimento. 

O Diário Secreto de Lizzie Bennet é um livro de leitura rápida e fluída e eu super recomendo para quem é fã de Orgulho e Preconceito e/ou TLBD.

Ps. E se você ainda não assistiu a TLBD, corre para asistir!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

The Here and Now




Follow the rules. Remember what happened. Never fall in love.
This is the story of seventeen-year-old Prenna James, who immigrated to New York when she was twelve. Except Prenna didn’t come from a different country. She came from a different time—a future where a mosquito-borne illness has mutated into a pandemic, killing millions and leaving the world in ruins. 

Prenna and the others who escaped to the present day must follow a strict set of rules: never reveal where they’re from, never interfere with history, and never, ever be intimate with anyone outside their community. Prenna does as she’s told, believing she can help prevent the plague that will one day ravage the earth. 
But everything changes when Prenna falls for Ethan Jarves. 
(Sinopse retirada do livro)

The Here and Now foi o livro de janeiro sorteado na minha TBR Jar. Eu li em inglês, mas o livro foi traduzido para português sob o título de Aqui e Agora, no entanto eu acho que só tem em português de Portugal. :/ Mas garanto que a leitura vale super a pena.

O motivo que me levou a comprar esse livro foi um só: a autora. Pra quem não sabe, Ann Brashares também é a escritora da série A Irmandade das Calças Viajantes (que deu origem ao filme Quatro Amigas e um Jeans Viajante), que era uma das minha séries favoritas quando adolescente. Por isso eu comprei o livro sem nem ligar muito para a sinopse e sem ter muita noção sobre o que o livro falava e acabei adorando a leitura.

The Here and Now conta a história de Prenna, uma adolescente de 16 anos que é uma imigrante temporal. Aí você me pregunta: Mas Vanessa, o que é uma imigrante temporal? Explico. Aos 12 anos, Prenna fugiu junto com um grupo de outros viajantes no tempo para o passado indo parar no ano de 2010. Eles se refugiaram no passado para escapar de um futuro pós-apocalíptico no qual a Terra havia sido dizimada devido a uma peste transmitida por mosquitos e, ao mesmo tempo, tentar impedir que esse futuro ocorra.

O problema é que esses viajantes precisam seguir uma variedade de regras de não interferência no passado e quem não segue essas regras acaba, coincidentemente, sofrendo acidentes que ocasionam suas mortes. Mas aí fica a pergunta: Como prevenir o futuro sem corrigir o passado? Por questionar isso e outras regras, Prenna acaba ficando na mira do conselho (os viajantes vivem em comunidades e são governados por uma espécie de conselho próprio) e sendo perseguida por ele. Sua única chance de sobreviver é com a ajuda do seu amigo Ethan por quem ela é apaixonada (opa! uma regra quebrada) e que sabe que ela veio do futuro (opa! outra regra quebrada). Os dois então embarcam em uma aventura para fugir do conselho enquanto tentam evitar o acontecimento que provavelmente causará o início da peste que dizimará a humanidade.

Eu gostei bastante da forma como Brashares conduziu a história. Prenna é forte e inteligente e eu gostei muito da forma como ela lidou com o conselho e com todas as mentiras que eles contavam para dominar a comunidade. Ethan também é muito inteligente e sobretudo leal. Ele é apaixonado pela amiga, mas, por mais que queira ficar com ela, não força a barra e respeita os medos que ela tem. O romance dos dois é bonito e bem desenvolvido, mas não é o foco da história. SPOILER Queria que eles tivessem ficado juntos, mas gostei de eles não terem ficado porque foi um final mais realista e condizente com a história. SPOILER 

Não foi um livro que me fez viras as páginas loucamente, mas eu apreciei bastante a leitura. Tanto as personagens quanto o enredo é bem desenvolvido e eu achei interessante o fato de a autora ter tocado na questão das consequências que uma viagem no tempo poderia ter: futuro alternativo ou o fato de os viajantes serem biologicamente uma ameaça para os nativos temporais ou como viajar no tempo para impedir um acontecimento pode piorar a situação ou então ser justamente o que vai gerar esse futuro. Ann Brashares se mostrou uma escritora de ficção científica tão boa quanto de infanto-juvenil / jovem-adulto.




segunda-feira, 30 de março de 2015

Manhã de Janeiro



Ele estava parado olhando através da janela enquanto uma lágrima solitária escorria pelo seu rosto quando ouviu um choro. Ele se virou e viu uma enfermeira parada na porta carregando em seus braços um pequeno embrulho que, ao que parecia, possuía pulmões bastante resistentes. Eles esticou bem os braços e, agradecendo à enfermeira, pegou o bebê.

“Bem vindo a esse mundo, pequenino.” ele disse  “Você é a coisa mais linda que eu já vi na vida, sabia? Tenho certeza que se sua mãe pudesse, ela te diria o mesmo.” Ao dizer isso seus olhos automaticamente foram em direção à cama onde ela repousava inconsciente. Sua pele estava pálida, havia tubos em várias partes do seu corpo e ela parecia extremamente fraca, ainda assim, ele não conseguiu não achá-la linda.


Eles haviam conseguido. Contra todas as possibilidades, eles haviam criado vida. Mas o preço havia sido alto; o quão alto exatamente, ele ainda não sabia. Sentiu as lágrimas querendo cair e sabia que se elas jorrassem ele não conseguiria mais parar e naquele instante, com o filho nos braços, ele sabia que precisava se manter inteiro, pelo menos enquanto o menino estivesse acordado. Sentiu as paredes do quarto se fecharem ao seu redor e, de repente, ele começou a se sentir sufocado lá dentro; precisava sair e respirar ar puro. Sabia que o bebê ainda era pequeno demais para pegar sol, mas imaginou que se fosse só por alguns poucos instantes não faria mal. Por precaução, pegou uma fralda e cobriu a criança, depois se esgueirou para fora do quarto tentando passar despercebido pelas enfermeiras e médicos.


Lá fora, sob a calor do sol, ele se sentiu mais calmo. Levantou a fralda e observou deslumbrado o menino que sorria para ele como se estivesse feliz e animado por quebrar as regras e sair escondido do hospital. O pai então desejou que fosse capaz de ser o homem que a criança precisaria que ele fosse. Fechou os olhos e fez uma pequena prece para que o menino não fosse como ele, mas que fosse melhor. Que fosse capaz de aproveitar todos os pequenos momentos que lhe fossem oferecidos e viver intensamente, capaz de abrir bem os braços e cumprimentar o mundo inteiro, capaz de ser forte e gentil e de enfrentar as adversidades da vida de cabeça erguida, capaz de nunca deixar de se deslumbrar e se emocionar com as maravilhas do mundo.

Quando abriu os olhos viu um médico saindo do hospital com uma expressão preocupada no rosto e o reconheceu. Imediatamente preparou seu coração para o pior, para a notícia iminente que o profissional lhe traria, apertou ainda mais o filho nos braços e, de maneira inconsciente, o trouxe para mais perto do peito. Juntou tudo o que ainda lhe restava de força e caminhou na direção dO hospital, de encontro ao médico.
            
“Estive te procurando por todo o hospital,” disse o médico “sua esposa acordou.”

Surpreendido pela notícia inesperada, o homem não conseguiu mais se conter e quando o último cristal de medo se quebrou dentro de si ele pôde finalmente permitir que as lágrimas caíssem pelo seu rosto, lágrimas de alívio e, principalmente, de pura felicidade.


Ps. Leiam ouvindo essa música. Ela que me serviu de inspiração.

quarta-feira, 25 de março de 2015

4ª Turnê Intrínseca - Primeira vez em São Luís

Da esquerda para a direita: Eu, Carol, Heloísa, Raissa e Carol.

Pra quem não sabe, durante este mês de março e metade do mês de abril está acontecendo a Quarta Turnê Intrínseca e, pela primeira vez, São Luís foi incluída como um dos destinos para a Turnê graças à vitória em um concurso feito pela editora para escolher quatro capitais extras para visitarem. YAY!!! O evento aconteceu aqui nesse domingo (dia 22/03) e foi completamente gratuito, mas para participar era necessário ter uma senha. No entanto, foi anunciado que apenas 300 senhas seriam distribuídas sendo que até sábado aproximadamente 650 pessoas já haviam confirmado suas presenças na página do evento no facebook então... dá pra imaginar o desespero para chegar cedo e conseguir pegar uma senha, né?  A distribuição de senhas estava marcada para começar as 14:00, mas as 12:20 já havia mais de 50 pessoas acampadas em frente a Leitura do São Luís Shopping. Logo que a fila começou a se formar alguém teve a brilhante ideia de enumerarmos nossas mãos de acordo com nossa posição na fila. Dessa forma, poderíamos sair para almoçar, ir ao banheiro, passear, etc, sem medo de perder nosso lugar e, além disso, se o número de pessoas fosse superior a 300 teríamos como identificar quem foram os primeiros a chegar. Claro que esse método de organizar o pessoal não era infalível, mas funcionou bem.

Olhem o tamanho...
... da fila

Posições minha e de Raissa na fila

Por volta de 13:30, eu acho, começaram a abrir o portão e foi um desespero na fila. Todo mundo levantando achando que já iam começar a distribuir as senhas quando percebemos que só tinham aberto o portão para que um funcionário entrasse. Essa cena se repetiu mais algumas vezes até que finalmente pudemos entrar na livraria e pegar as nossas tão aguardadas senhas. *.*


Acabou que apenas 250 pessoas compareceram ao evento. Creio que a chuva atrapalhou muitas pessoas de irem, pelo menos esse foi o motivo dado por alguns dos meus amigos que estavam animados para ir, mas não foram. (Já é uma luta conseguir pegar ônibus dia de domingo, com chuva então...) No entanto, teve até pessoas de outras cidades participando! 

Com  as senhas em mãos - ou melhor - nos pulsos, resolvemos bater perna pelo shopping até que começasse a apresentação da turnê. Ao contrário do que imaginávamos, o evento não aconteceu na Leitura, mas na praça de alimentação do primeiro andar. Por um lado foi ruim porque não teve aquele ambiente aconchegante da livraria, por outro, foi bom porque eu não tenho ideia de como fariam para colocar tantas pessoas dentro da Leitura. 

Chegamos na praça de alimentação vinte minutos antes do horário marcado para o início do evento e já estava lotado. Tivemos que sentar bem atrás, mas ainda assim a visão estava ótima. A apresentação começou com alguns (poucos) minutos de atraso por causa de alguns problemas com o som. A Heloísa e a Carol, as hostess do evento, são duas fofas. Elas são divertidas e foram super atenciosas com todo mundo. O evento foi dividido em três partes. Na primeira, elas falaram sobre os novos lançamentos da Intrínseca, comentaram sobre as histórias dos livros, falaram um pouco sobre os autores e mostraram booktrailers e trailers de algumas adaptações cinematográficas. Os livros estavam divididos em quatro categorias: literatura jovem, nacional, ficção e não-ficção. Na segunda parte, elas abriram uma sessão de perguntas para que os participantes pudessem tirar suas dúvidas. Na terceira, foram feitos sorteios e distribuição de brindes. Entre os itens sorteados, estavam vários livros (todos lançamentos) e um kobo aura HD à prova d'água. *.* A pessoa que ganhou o kobo não estava presente na hora do sorteio e tiveram que sortear outra pessoa. Imaginem a frustração dessa criatura quando ela descobrir que perdeu a oportunidade de ganhar um kobo!!! Enfim, infelizmente, nem eu, nem Raissa, nem Carol e nem Rodolfo ganhamos algo nos sorteios, (T.T) maaaas ganhamos uma bolsinha cheia de brindes que foi distribuída para todos os participantes!

Bolsa-estojo + lápis com gírias regionais+
vale e-book da cultura + caderno +
cordão de crachá (? - como realmente se chama isso) +
bottons 
Marca-páginas














Lápis com gírias do MA, AL, MA, RJ, respectivamente.

Um dos brindes que eu achei mais legal foi o lápis com gírias regionais (dos estados que a turnê estava visitando) porque valoriza as diferenças existentes na nossa língua. E, pelo que eu pude observar, eles pesquisaram os regionalismos cuidadosamente, de forma a não escreverem gírias que não eram comuns ao estado mencionado e a grafarem as palavras da maneira que eram faladas. No lápis do Maranhão, por exemplo, vieram as gírias: aziado, ralado, piqueno, éguas. Levando em conta o preconceito que existe com os nordestinos lá para o Sul e Sudeste do país, essa pequena atitude da editora fez com que nos sentíssemos valorizados (eu pelo menos) e felizes em saber que existem pessoas que apreciam as diferenças que existem na nossa língua.

O evento foi bem divertido e valeu a pena as quase duas horas acampadas na frente da Leitura e mais as horas zanzando pelo shopping sem ter o que fazer. Espero que eles venham mais vezes e que tenha outros eventos desse tipo por aqui!

Ah! Eu e Raissa fizemos alguns vídeos cobrindo o evento, eu ia tentar editar e juntar todos os vídeos em um só, mas confesso que não tive paciência. Essa foi uma ideia meio espontânea e eu tava suuuuuper sem graça, mas eu espero que vocês gostem do resultado, conseguimos até uma entrevista com a Carol - diretora de marketing da Intrínseca!!! (Depois que falamos com ela foi que eu pensei em algumas perguntas legais para fazer. :/ ) Os vídeos são bem curtos, então dá pra ver rapidinho, só peço que ignorem o fato de que eu não acertava olhar para a câmera do celular de Raissa. :p

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Ps. Esse vídeo tava normal no meu computador, não sei porque ficou de lado 
aqui no blog. Tentei ajeitar, mas não consegui. :(

Eu e Raissa mostrando os brindes:

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Pseudaentrevista com a Carol:

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Pra finalizar, eu deixo esse vídeo super legal que foi transmitido durante o evento  e que fala sobre a diferença entre livros e e-books.